lunes, 10 de agosto de 2020
Poliglota, eu?
Poliglota, eu?
Cris Sousil 07/08/2020
Sexta-feira, não tenho aula. Diante da atrativa possibilidade de me levantar mais tarde, repousando meus olhos, permitindo flutuar minha mente inquieta no azul-celeste que pinta os meus sonhos, eu… abro os olhos; obrigo-os a fecharem-se novamente, viro de um lado e outro e, finalmente, levanto-me, rendida, às 7h15 da manhã.
Uma vez derrotada pelo dia que começou mais cedo em meu interior, tomo um café e começo a escutar um podcast em italiano.
Enquanto o jovem italiano fala e fala e fala, a ideia que foi engendrada na noite anterior, continua esperneando na minha mente. E eis que aqui ela se debruça e começa a violentar a virgem folha, divagando sobre o assunto que sapateia dentro de mim: a paixão e o aprendizado de idiomas.
Como organizar o tempo para estudar cinco idiomas entre os afazeres domésticos, a atenção ao marido e à filha de 07 anos e o trabalho como professora?
Não, não é fácil, tampouco impossível, e a quarentena tem sido companheira nesta aventura idiomática.
Minha paixão pelos idiomas começou muito tempo antes...
O primeiro a bater forte a minha porta foi o espanhol. O inglês chegou ameaçando: “ou você aprende ou ficará estagnada!”. O italiano desfilou, completamente sedutor, encarando-me, vez ou outra, como quem diz: “você não poderá resistir aos meus encantos”.
E o francês? Oh lá lá, o francês é amigo recente, confidente em um momento de crise mundial.
Ele rebolou seu charme em plena pandemia, se bem já me fizera visitas esporádicas anteriormente, foi durante a quarentena que me venceu por completo, aliando-se a uma amiga querida, mon ami Patty, para me enlaçar por completo.
Quem me conhece sabe que sou apaixonada por idiomas. Ainda pequena, aprendi espanhol escutando músicas, copiando as letras dos encartes de discos e de cds e traduzindo com o auxílio de um dicionário, em seguida cantava até memorizá-las, coitados dos vizinhos! Nesse ponto, é válido ressaltar, que meu primeiro professor de espanhol foi o cantor “mexicano” Luis Miguel.
Adolescente rara, também sentia um imenso prazer ao visitar a biblioteca do Memorial da América Latina e passar horas lendo poemas em espanhol de autores cujo nome já não me lembro.
Ao completar 18 anos decidi, então, fazer minha primeira viagem internacional. Foram 36 horas de ônibus até chegar ao meu ansiado destino: Buenos Aires. E foi naquele momento que eu conheci a cidade que mais tarde seria minha segunda casa, país onde me consolidaria na profissão que amo, que me casaria e onde nasceria minha filha.
Aos 20 anos fiz minha segunda viagem, México. Dessa vez foi realmente necessário arrotar todo o espanhol que eu engolira antes e me comunicar. Sem dúvida, foi uma viagem que marcou também a minha transição à vida adulta.
O espanhol nunca me abandonou, como anteriormente mencionado, fui morar na Argentina e me rendi aos encantos do país vizinho por quase 11 anos, e sim, os melhores anos de minha vida sambaram na grande passarela argentina.
Mas, antes da mudança, casamento e parto, o lorde inglês já tinha me alistado ao seu exército de aprendizes. Comecei um curso numa daquelas escolinhas famosas da cidade, não foi ruim, mas logo abandonei, depois retomei, depois abandonei e, no meio dessas idas e vindas, ainda estudo inglês nos dias atuais e faço parte daquele time que sabe, mas não fala.
Entre o espanhol e o inglês, foi que o italiano desfilou. Mas seu desfile foi tão inconstante quanto meu alistamento ao exército inglês, resultado: estudo italiano até hoje e, falo, como uma criança de 5 anos, mas falo.
Finalmente chegamos ao encontro com o amigo francês, ahhh mon amour, merci beaucoup! Ele me assustou muito no início, pensei em sair correndo, mas algo ou alguém sempre me trazia de volta aos braços e abraços franceses e surpreendentemente solto minhas primeiras frases, uno as primeiras vozes, como um quebra-cabeça que vai fazendo, a cada dia, mais sentido.
Dedico muitas horas a eles, meus queridos amigos idiomáticos, conversamos, rimos, caminhamos de mãos dadas. Todos os dias dou um pouco de atenção a cada um deles, um podcast, uma leitura em voz alta, um vídeo, alguns exercícios, não há espaço para o ciúme. O tempo é curto, mas é compartilhado entre todos.
E o português? Como não citar o português?
Olha que coisa mais linda, ahhh, o português de Machado de Assis, de Cecília Meireles, de Luis Fernando Veríssimo, de Stanislaw e Sabino, e (por que não?) de Paulo Coelho. O português da Bossa Nova, da MPB, do samba e do funk. Ahhh o português romântico, travesso, indecifrável. O idioma mais difícil, que eu ensino, que eu aprendo todos os dias e o qual ainda não domino, mas ele sim me domina, dia após dia.
Poliglota, eu? Não, apenas um filhote miando lá embaixo, tentando escalar os primeiros degraus da Torre de Babel, à mercê de seus encantos sonoros.
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